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Sobre palavras vulgares e palavrões

Opa, escapou

Opa, escapou

Quem nunca soltou um palavrão que levante a mão. Confesso que falava bastante termos inapropriados antes de conhecer minha esposa. De família protestante, ela sempre detestou esse vocabulário de baixo calão. Aos poucos, com a convivência, perdi o costume, embora ainda tenha meus momentos de ira, sobretudo quando estou sozinho, claro.

Mas bastou ser pai para que a ‘patrulha’ aumentasse como nunca. Combinamos, Renata e eu, de evitar ao máximo qualquer palavra mais vulgar dentro de casa, mesmo as mais comuns – ninguém em casa ‘mija’, mas faz xixi, e por aí vai. Quando se tem duas meninas, então, isso parece ainda mais forte. Não que mulheres não tenham o mesmo direito de proferir impropérios em certas ocasiões. Todos temos e também não queremos transformar isso num tabu a fim de não incentivar uma possível revolta no futuro.

No entanto, qual o sentido em ver uma criança de 5 ou 6 anos soltando um ‘vai tomar no c…’? Que valores estamos passando para ela? Que não se deve respeitar o próximo e que nos tornamos melhores xingando os outros? Óbvio que não.

A temida pergunta

Apesar disso, já sabíamos que cedo ou tarde a pergunta surgiria: “Papai, o que é porr…?”. O alerta vermelho acendeu de imediato. Não é de hoje que elas são testemunhas de pessoas estranhas, mas também amigos e até familiares (que o diga o avô paterno) desfiando palavrões a torto e a direito. Curiosamente, esses momentos parecem não ter chamado a atenção delas, afinal nenhum até hoje falou nada do tipo, mas eis que o ambiente escolar proporcionou a descoberta dos tais termos chulos.

Não culpamos a escola, afinal como controlar o que crianças falam durante horas todos os dias? Em algum momento, um deles mais exaltado vai soltar algo inapropriado, até para fazer graça e chamar a atenção. O problema é que a mesma preocupação que temos em evitar esse tipo de palavreado não é comum em muitas famílias. Pior ainda para meninos, que são até incentivados a falar dessa forma, bastando para isso seguir o exemplo do pai – quer um ambiente mais ‘educativo’ que uma partida de futebol entre amigos?

Podem me chamar de antiquado, conservador, puritano, mas afirmo o seguinte: não precisamos transformar cada frase num desabafo cheio de termos vulgares. Parto do princípio que se queremos ser respeitados devemos primeiro respeitar os outros, fazer o que gostaríamos que fizessem conosco.

Mas, afinal, o que respondi para minha filha? Com sete anos, não quis entrar no mérito sobre do que se trata a palavra, repetida pelo amiguinho ‘boca suja’ da sala. Preferi, sim, criar uma tabela até engraçada classificando os termos em ‘apropriados’, ‘vulgares’ e ‘palavrões’. Optei por explicar alguns mais comuns e fáceis para que ela saiba do que se trata por meio de alguém que confia. Então ‘cu’ (palavrão) passou por ‘bunda’ (vulgar) e chegou a ‘bumbum’ (apropriado).

Se vai funcionar? Não sei dizer, mas pelo menos da minha boca elas vão continuar ouvindo palavras como ‘caçapava’, ‘pqp’, ‘carvalho’ ou ‘funhanhou’, mesmo sem entender exatamente porque as proclamo com toda raiva.

Sobre o autor

Ricardo Meier

Jornalista do setor automotivo há 13 anos, tenta ajudar no que pode no dia a dia dos filhos, apesar de já ter até derretido mamadeira esquecida na panela.

2 comentários

  • Molto bene caro amici, sono con te !! È tutto davvero… Meu filho anda aprendendo un poco destas coisas, ma noi tentamos falar para ele que não é legal e anché noi tentamos colocar um termo mais light. Tem mais um legal : “bost…” (vulgar) bosnia (apropriado) kkk.. Bacci a tutti voi

  • Exelente matéria….acho importante explicar e tirar a curiosidade da criança sobre os palavrões…. Fica mais fácil de pedir que não usem e que há outras palavras que podemos falar sem ser Feia…agora, como mãe de menino também…..no dia de jogo de futebol e somente com o pai, é liberado o uso de alguns que possam auxiliar no alívio da tensão….. Ex: quando vão ao estádio….
    Abç,
    Carla

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