Como lidar com a diferença de idade entre irmãos?

A árdua tarefa de tratá-los de forma igual, mas preservando suas diferenças

Tenho duas filhas com três anos de diferença e desde que a segunda nasceu nos perguntamos qual o equilíbrio e como explicar para as duas que não terão exatamente as mesmas coisas no mesmo tempow A mais velha dormirá fora de casa antes da mais nova, a mais nova será carregada no colo durante um passeio enquanto a mais velha precisará caminhar e assim por diante. Claro que não falo a respeito de amor, educação, oportunidades, atenção, mas de equilibrar essa complexa “balança etária”.

Quando ainda não havia experimentado a maternidade conheci uma pessoa que tinha duas filhas. A diferença de idade era pouco maior que a das minhas e minha amiga fazia questão que as duas ganhassem as mesmas coisas nos mesmos instantes. Eu, que às vezes não me dou por feliz em ficar com a boca fechada, a testemunhei ganhando um bombom (era para ela e não para as crianças) e imediatamente pedir por outro pois daria o doce para as filhas e as duas precisavam ganhar a guloseima igualmente.

Eu achei absurdo! Como assim ganhar um agradinho e pedir por outro porque, além de não comer, vai dar para outras duas pessoas? No mesmo momento eu ouvi de volta que o problema era que eu ainda não era mãe e não sabia o quão difícil era fazer a criança entender que não tem o mesmo doce para todo mundo.

Apesar disso, mesmo depois de ser mãe minha opinião continua a mesma. Ganhei o bombom? Divido em dois para as crianças. Não querem? O papai e a mamãe dividem numa boa.

…mas pode virar um campo minado de repente.

Longa espera

E esta situação só piora com o tempo. Hoje temos uma filha na pré-adolescência e a outra que ainda é criança de tudo. A mais velha pega meu celular para comunicar-se com os amigos, fazer telefonemas e vídeos, tem um e-mail (absolutamente controlado por nós adultos) e se vira sem nossa ajuda. Independência essa que vem conquistando aos poucos com muito cuidado e responsabilidade.

A mais nova, no entanto, ficou uma fera quando soube do e-mail da irmã e foi então que a discussão a respeito do assunto veio à tona. Após uma turbulenta conversa, ela entendeu que a irmã terá um celular antes dela, que não vamos acelerar o tempo de ninguém só para não criar um “tremor na força”. Chegará um momento que a mais nova poderá sair sozinha com os amigos enquanto a mais velha precisará esperar um pouco mais por este momento. Desde cedo elas precisam entender que a vida é assim, há tempo para tudo.

Mas por mais que deixemos claro que tentamos tratá-las da forma mais justa possível, elas têm valores diferentes. Não adianta porque o celular não chega antes da responsabilidade de seguir sozinha para a escola (que aqui é por volta dos 12 anos, quando a criança entra no ensino médio). Porém, como evitar que escutemos que as coisas são “injustas”, como diz nossa mais nova?

Segundo a psicológa infantil Daniella Faria, do canal Educação Infantil Online, é importante não deixar a impressão que a idade do irmão é melhor que a do outro. E passar a régua nas regras, ou seja, que elas sejam as mesmas, respeitando as diferenças de idade. “Estamos lidando com pessoas diferentes em momentos da vida diferentes, mas que não se pode perder de vista a consideração de todos”, diz.

Daniella enfatiza que o tom ideal é o que envolve a consideração por seus filhos e não atendê-los em suas vontades. Ao se sentirem respeitadas e parte da solução dos dilemas caseiros, elas tendem a compreender inclusive as necessidades dos pais, algo que geralmente fica num segundo plano, como sabemos.

Renata Meier

Formada em Letras, é atualmente assistente executiva. Apesar da carreira, sempre teve em mente o objetivo de criar seus filhos de perto, vivenciando ao máximo cada momento deles.

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