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O pai vira “dono de casa”

Papel do pai mudou nas últimas décadas (Reprodução

Papel do pai mudou nas últimas décadas (Reprodução)

Parecia uma espécie de dogma há algumas décadas: a figura paterna como provedor do lar enquanto à mulher cabiam os afazeres domésticos e o principal, cuidar dos filhos. Mesmo nos anos 70 e 80 quantas mães não largaram carreiras promissoras para assumir a função de “dona de casa”?

Esse cenário mudou, ainda bem. E deve ficar mais, por assim dizer, “sortido”, com configurações variadas, mas sobretudo com o pai tendo um papel mais atuante no dia a dia da vida dos filhos. Parte desse movimento está atrelado ao mercado de trabalho. Quantos profissionais não andam trabalhando em horários alternativos ou, então, assumindo sua posição no “home office”, cada vez mais comum nas empresas?

É o que ocorreu comigo há algumas semanas. Com o trabalho “home office”, surgiu a oportunidade de ficar com minhas filhas na parte da manhã, almoçarmos juntos e deixá-las na escola à tarde. Ou seja, meu “turno” de trabalho agora começa após o almoço e vai até às 20h00, quando elas já voltaram com a mãe, que assume a tarefa de preparar o jantar.

Além da proximidade, esse novo arranjo, claro, reflete no bolso: para ficarem o dia inteiro na escola gastaríamos mais do que o dobro do que o valor pago apenas para o horário letivo.

Proximidade

Claro que esse contato extremo comparado ao que tínhamos há cerca de dois anos cria momentos de stress e situações em que nossa cabeça está mais no trabalho do que em casa. No entanto, nada disso importa quando podemos testemunhar o crescimento delas de perto. A mais velha, com seis anos, está numa fase deliciosa, de descoberta do mundo, e dá-lhe dúvidas existenciais e conversas sobre o funcionamento do corpo humano e até de religiões. Já a pequena, certamente deve estar feliz em poder passear de mãos dadas com o pai e de bancar a “super heroína” que salva seus bichinhos de pelúcia, presos na árvore do condomínio – claro, com o devido suporte paterno.

Tenho visto muitos casos como esses, em que os pais se revezam no tempo diário com as crianças, seja por razões financeiras ou mesmo de trabalho. É um alento saber que essa geração não precisará ter como lembrança do pai aquela figura que chegava à noite em casa, cansado, sério, querendo jantar e assistir TV. Mesmo que pareçamos mais frágeis que esses personagens durões e rígidos, nada como ter pais acessíveis e por que não, mais humanos e próximos.

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Sobre o autor

Ricardo Meier

Jornalista do setor automotivo há 13 anos, tenta ajudar no que pode no dia a dia dos filhos, apesar de já ter até derretido mamadeira esquecida na panela.

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