Coletor menstrual, o mágico copinho que pode ser uma alternativa aos absorventes descartáveis

Tabu por séculos, o fluxo menstrual só deixou de ser um drama para a maioria das mulheres há poucos anos, graças a uma variedade enorme de produtos
Coletor menstrual

Em pleno século 21, a menstruação continua sendo um tabu para muitas pessoas, inclusive a próprias mulheres. Embora já não o enxerguemos como nos tempos da Idade Média ou na Roma antiga, quando o sangue era considerado venenoso e podia deixar cães loucos, matar árvores e plantações enquanto as mulheres se esforçavam para tentar conter o fluxo e o odor, o ciclo menstrual ainda é tratado como algo sujo e um problema.

Se por um lado, os mitos envolvendo o assunto variavam durante séculos, do outro as mulheres usavam e abusavam da criatividade para tentar manter o fluxo longe dos olhares alheios. As egípcias usavam papiro como absorvente internos, as gregas enrolavam linho em pedacinhos de árvore, enquanto outras apelavam para esponjas marinhas. Segundo relatos que li, era comum também queimar sapos(!) e andar com as cinzar ao redor do pescoço para afastar as cólicas e ou carregar certas ervas na cintura, como a canela, para disfarçar o cheiro. Na Idade Média, a situação piorou, quando as mulheres utilizavam quaisquer pedaços de panos como absorvente, extremamente ineficientes, é claro, e portanto era comum haver os indesejados vazamentos.

E assim foi, com algumas exceções, até o início do século 20 quando enfermeiras francesas durante a Primeira Guerra Mundial descobriram que bandagens de algodão funcionavam muito bem para estancar o sangue menstrual. Na década de 30, surgiu nos Estados Unidos a nossa salvação, o primeiro absorvente interno. No Brasil, no entanto, consta que a chegada dos absorventes com fita adesiva deu-se somente na década de 70 – pobres de nossas mães e avós.

Copinho mágico

Mas nem sempre o absorvente descartável foi a única opção funcional para nós, mulheres. Existe um produto pouco falado, mas que foi criado há mais de 150 anos e somente agora, aperfeiçoado, conseguiu seu lugar ao sol. Estou falando do coletor menstrual, que teria sido inventado por volta de 1850.

Originalmente, era uma espécie de copo de metal que se colocava dentro da vagina e ficava preso por meio de um cinto, nada confortável e nem um pouco higiênico. Nos anos 30, uma americana desenvolveu o primeiro coletor de borracha e que chegou a ser patenteado por uma empresa, mas não vingou por falta de matéria-prima durante a Segunda Guerra Mundial – de toda a forma, o material causava muita alergia.

O mesmo coletor voltou a ser produzido nos anos 50 e 60, mas por conta da discriminação com relação ao assunto (palavras como menstruação e vagina eram proibidas na mídia), a ideia mais uma vez ficou só na intenção.  Foi somente no início do século 21, com o advento do silicone medicinal, que os coletores menstruais voltaram e desta vez para ficar, graças a preocupação com o meio ambiente e ao fato de a mulher conseguir ser mais ouvida nos últimos tempos. No Brasil, o produto chegou por volta de 2015 e tem se tornado mais popular, apesar de ainda não ser comum como os absorventes.

As várias opções para “aqueles” dias

Seu preço acaba sendo uma primeira barreira para estimular seu uso, afinal pode variar de R$ 45 à R$ 150, mas colocando na ponta do lápis, em poucos meses ele é capaz de recuperar o valor gasto com os absorventes convencionais, uma vez que o coletor pode ser reutilizado num período de 3 a 10 anos.

Para muitas mulheres, depois do período de adaptação, que pode levar dois a três ciclos aproximadamente, o melhor benefício é não precisar se preocupar com as trocas constantes de absorventes durante o dia. Dependendo do fluxo, é possível utilizar o copinho com segurança por até 12 horas. Entretanto, para aquelas que possuem um fluxo menstrual bem forte, o coletor pode ser um problema, pois esvaziá-lo e limpá-lo não é tarefa das mais fáceis se você não se encontra num lugar limpo e confortável.

Sempre que há a necessidade de esvaziar o copinho é preciso tomar cuidado para retirá-lo e não espirrar o líquido na roupa. Além disso, é preciso ter  cuidado ao lavá-lo com água corrente e um sabonete líquido neutro. Esse é um ponto que precisa ser bem pensado antes de gastar com a nova engenhoca, afinal há um trabalho extra, diferente dos absorventes convencionais, mais práticos neste caso. E hoje é fácil encontrá-lo em farmácias, lojas on-line ou diretamente nos sites dos fabricantes como Violeta, Fleury (sim, o laboratório mesmo), Inciclo, Korui e por aí vai.

Enfim, coletor, absorvente interno ou externo, hoje em dia temos várias opções a serem consideradas, inclusive a de não menstruar se preferir. O importante é encarar a menstruação como algo comum, natural, e deixar de lado a vergonha e o preconceito, não é mesmo?

Renata Meier

Formada em Letras, é atualmente assistente executiva. Apesar da carreira, sempre teve em mente o objetivo de criar seus filhos de perto, vivenciando ao máximo cada momento deles.

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